Caros(as) Alunos(as),
Este espaço foi criado com o intuito de provomermos discussões acerca dos tópicos que compõem o programa do nosso curso. Assim, a cada semana, esperamos ouvir a voz de todos neste espaço sobre questões diversas apontadas nos textos. Para esta semana gostaríamos de ouvir comentários sobre :
1) o seguinte trecho de Ortiz (2008, p.75), "Neste sentido, as transformações atuais (capitalismo flexível, indústrias culturais transnacionais, mundialização da cultura, avanços tecnológicos) incidem diretamente na maneira de se conceber as formas espaciais". Ao postar, façam um intertexto com o texto de Hall que lemos na última aula. Pensem nas questões de tempo e espaço.
2) Romaine (1995, p.5) afirma "o bilinguismo está a um passo da extinção linguística"(p. 5). Comente a afirmação pensando nas situações de contato entre línguas apresentadas pela autora.
3) Em que medida as definições de bilinguismo discutidas em Romaine (1995) diferem?
sábado, 27 de março de 2010
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Não é dúvida que os avanços tecnológicos que possibilitaram mundializar e tornar determinadas culturas supranacionais criaram um novo ambiente e uma necessidade do homem de adaptar-se nesse novo ambiente. As novas concepções de espaço e lugar apresentadas por Hall definem esse novo ambiente, posicionando o indivíduo em um espaço que é múltiplo e num tempo que se posiciona muito mais com características virtuais, psicológicas do que com conceitos físicos. A teoria da relatividade de Einstein propõe uma possível envergadura no tecido do espaço e uma dinâmica visão do conceito de tempo. Com as tecnologias, ainda que embora apenas de modo virtual, o espaço torna-se flexível possibilitando ao indivíduo ocupar diferentes posições, diferentes lugares, de forma simultânea fazendo nascer um indivíduo múltiplamente complexo e dificilmente delineável.
ResponderExcluirO bilingüismo realmente encontra-se em linha de extinção?
ResponderExcluirQuando consideramos a pressão político ideológico que línguas minoritárias sofrem ao redor do globo, com certeza poderemos concordar com essa afirmação. Pensamos que determinadas línguas tornam-se mais importantes, pois carregam uma importância política consigo e essa importância reflete nas escolhas que o falante bilíngüe faz para preterir ou preferir determinada língua, deixando as línguas com uso restrito ao ambiente doméstico em posição secundária e em contínuo processo de desaparecimento. Entretanto acreditar no fim do bilingüismo é também acreditar que as diferentes posições, que solicitam determinadas línguas ou ainda determinadas variações dialetais, também desaparecerão e não é esse o ambiente presente na contemporaneidade. Ainda que determinadas línguas assumam posições de prestígio é notável como elas não conseguem promover o abandono da variedade nativa ou variedade menos secundária. Estas últimas representam, e são defendidas, pelo processo de formação da identidade do falante, tornando-se assim, veículo através do qual o indivíduo se afirma e se reconhece dentro de grupos maiores. Diego Alves
1) Hall afirma que os processos de transformações atuais, apontados por Ortiz - capitalismo flexível, indústrias culturais transnacionais, mundialização da cultura, avanços tecnológicos - são contemplações da globalização. Essa, por sua vez, conforme aquele autor, colide diretamente com a noção de identidade ao reduzir a relação espaço-tempo dos eventos assimilados pelos membros de uma sociedade. A globalização, sem dúvida, diminui a distância (espaço) entre as culturas de forma acelerada (tempo). A aldeia global instaura no indivíduo a necessidade de digerir essas representações, inúmeras por sinal, provocadas a todo momento e em todo lugar. Acredito que a representação geral das práticas sociais atuais estão combinadas, até mesmo por conta da larga expansão de horizontes, com a constante reformulação da gama de informações com as quais o indivíduo se depara. E, às vezes, não há tempo para refletir sobre tais representações ou mudanças geradas pela globalização, uma vez que elas integram nossas experiências, vivências, cultura etc., algumas vezes, de modo inconsciente. De fato, as transformações ocorridas no mundo moderno são mais intensas do que a maioria das mudanças características dos períodos Iluminista e sociológico.
ResponderExcluir2) Se pensarmos em línguas minoritárias, isso pode ser um fato. Romaine ao longo do texto afirma que o bilingüismo repousa sobre ideologias culturais e políticas. Acredito que as apregoações relativas ao monolinguismo, inclusive os pressupostos de Chomsky e das próprias teorias linguisticas, contribuam para que essa concepção de extinção evoque um aspecto de perda lingüística por uma série de fatores tratados no texto. Entretanto, não acredito que esse fato venha ocorrer, justamente porque o falante de uma língua é um indivíduo dotado de várias concepções e motivações ao utilizar uma língua (a sua!). Aliás, como tem sido discutido nas aulas, a identidade também é construída através da língua. Então a forma de um indivíduo se posicionar por meio de suas ações e atitudes nas relações humanas corresponde ao uso e opção desse indivíduo pela língua que, em sua concepção, ele seja reconhecido enquanto ser humano falante.
3) Como disse Romaine, o bilingüismo é um recurso a ser cultivado e não um problema a ser superado. A descrição do bilingüismo, ao mesmo tempo em que deve observar as questões como: grau, função, alternação e interferência, as quais ele descreve, são bases que são complexas de serem levadas em consideração para uma análise. Romaine diz que são questões que não podem ser tratadas isoladas. Além disso, há que se considerar nessa definição, o contexto no qual o indivíduo tem oportunidade de usar uma língua particular, aspecto que afetará sua competência nela. E, ainda, idade, sexo, inteligência, memória, atitude lingüística e motivação, fatores que provavelmente influenciam a aptidão do bilíngüe. Hélvio Frank
Sobre o excerto de Romaine (1995), “[...] bilingualism is a step along the road to linguistic extincition”, penso que é fundamental considerarmos os contextos sócio-políticos e culturais mais amplos nos quais as línguas são postas em contato para verificarmos sua precedência. Neste caso, as categorias citadas por Ortiz (2008, p. 36) podem lançar algumas luzes. No caso de grupos e línguas minorizados, dentro de organizações políticas mais amplas, como estados e nações, situação a qual se chama “línguas sem estado”, como o próprio Ortiz reconhece, “o desaparecimento é uma ameaça real”, pois “o número de falantes é pequeno e vivem em situações de conflito e subordinação”. Nestas situações, a pressão exercida historicamente pela sociedade majoritária, considerados seus padrões e suas dimensões políticas, sociais, culturais e econômicas, em direção ao extermínio, a assimilação e a integração, faz com que membros de grupos minorizados adotem padrões e comportamentos da sociedade mais ampla, inclusive nas práticas linguísticas (não acredito, no entanto, que seja uma questão comportamental que vise a benefícios na sociedade majoritária, prefiro interpretar como algo compulsório, situação na qual há pouca ou nenhuma opção por manter padrões culturais originários). Neste processo, é comum observarmos mudanças no sentido do monolinguismo na língua originária, seguido por uma fase de bilinguismo e, finalmente, o monolinguismo na língua da sociedade majoritária. Esse processo é facilmente observável, por exemplo, na história dos diversos grupos indígenas brasileiros e latino-americanos, para os quais, até a década de 1980, eram elaboradas políticas públicas (educativas, linguísticas...) visando sua assimilação e integração à sociedade nacional. Para isto, uma importante estratégia foi fomentar um bilinguismo de transição, cujo único objetivo era o monolinguismo na língua oficial nacional. Desta forma, acredito que o bilinguismo seja, sim, um passo para o desaparecimento de línguas minorizadas em situações de assimetria política, social e econômica. Penso que a afirmação seja válida, também, para grupos de imigrantes (especialmente para gerações mais novas) em contextos nos quais não se reconhece/fomenta seus direitos linguísticos.
ResponderExcluirAndré Marques do NAscimento
Seguem minhas respostas.
ResponderExcluir1) Sobre o excerto de Ortiz (2008), penso que as noções atuais de tempo e espaço nos são oferecidas, antes de tudo, pela globalização, que se refere “àqueles processos , atuantes numa escala global, que atravessam fronteiras nacionais, integrando e conectando comunidades e organizações em novas combinações de espaço-tempo” (HALL, 2006, p. 67). Como consequência dessa nova perspectiva de organização global, temos vivenciado experiências múltiplas e contraditórias, a ponto de nos sentirmos parte de diferentes grupos e/ou comunidades culturais. Em outras palavras, temos a sensação de estarmos culturalmente próximos e distantes ao mesmo tempo, o que vem a legitimar a ideia de fragmentação identitária proposta por Hall (2006) em seu debate sobre a identidade cultural na pós-modernidade. É nesse sentido que as transformações atuais têm modificado as formas como concebemos as formas espaciais, fazendo-nos sentir que o mundo é menor e as distâncias mais curtas, isto é, “que os eventos em um determinado lugar têm um impacto imediato sobre pessoas e lugares situados a uma grade distância” (HALL, 2006, p. 69).
2) Como nosso colega André, acredito que esta afirmação de Romaine (1995) deve ser analisada levando-se em conta “os contextos sócio-políticos e culturais” nos quais as línguas em questão se inserem. Deste modo, se pretendemos analisá-la no contexto da língua galesa, por exemplo, que a cada dia recebe mais influências do inglês, devemos considerar as relações históricas entre o País de Gales e a Inglaterra, pois foram elas que desencadearam uma situação de “mistura de línguas” no território de menor amplitude política. Assim, neste contexto, o bilinguismo pode estar a um passo da extinção linguística, como alega Romaine (1995), pois os/as falantes da língua minoritária tendem a se distanciar gradativamente da sua primeira língua, assim como tem ocorrido com algumas comunidades indígenas brasileiras.
3) As definições de bilinguismo discutidas em Romaine (1995) diferem à medida em que são apresentadas novas categorias de análise, tais como grau, função, alternância e interferência. Uma dessas definições, por exemplo, sugere que o/a falante bilíngue deve dominar as estruturas e funções de duas línguas, podendo se passar por "falante nativo/a" de ambas. Por sua vez, uma segunda concepção de bilinguismo ou de falante bilíngue recai sobre a possibilidade de uma pessoa se tornar bilíngue a partir do momento em que ela consegue interagir de alguma forma em duas línguas, o que não significa dominar integralmente suas estruturas e funções, como sugere a definição anterior. Assim, conclui-se que “saber uma língua” é algo relativo na definição de bilinguismo, mesmo porque vários outros fatores devem ser levados em consideração.
Marco Túlio de Urzêda Freitas
Reflexoes sobre as seguintes perguntas:
ResponderExcluir1) o seguinte trecho de Ortiz (2008, p.75), "Neste sentido, as transformações atuais (capitalismo flexível, indústrias culturais transnacionais, mundialização da cultura, avanços tecnológicos) incidem diretamente na maneira de se conceber as formas espaciais". Ao postar, façam um intertexto com o texto de Hall que lemos na última aula. Pensem nas questões de tempo e espaço.
O Teorico Cultural,Stuart Hall (2006) descreve que "As sociedades modernas são, portanto, por definição, sociedades de mudança constante, rápida e permanente".
Essa descrição de "mudança constante" nos faz refletir na sociedade pós moderna que vive uma gama de identificações diversas, ontem tinhamos a "macarena" que é uma canção da dupla espanhola "Los del Río", desta forma representando uma identificação da nossa sociedade latina, alegre e festiva. Em nossa atualidade temos Susan Boyle uma cantora escocesa que se tornou célebre por sua participação no programa de calouros britânicos Britain's Got Talent.
Como a questão de tempo/espaço tornou-se um ideário coletivo em que o individuo sofre influencias de culturas e identidades distintas. Pois os meios de comunicação nos tornam um (tendo o sentimento unitario), dando-nos o mesmo gosto e vontades a todos, pois se danço "macarena" no Brasil, em varios paises muitos individuos estão dançando e tendo uma só orientação.
A mudança ocorre em um espaço de tempo muito reduzido, sucesso ontem no "Britain´s got talent"., sucesso hoje no "youtube" aqui no Brasil com milhoes de acessos.
A internet, a TV, Celular, transporta-nos para varios locais atraves desta comunicação mas não necessariamente nos deslocamos para estes locais, o espaço/tempo pode se encontrar aqui e agora no meu imaginario.
2) Romaine (1995, p.5) afirma "o bilinguismo está a um passo da extinção linguística"(p. 5). Comente a afirmação pensando nas situações de contato entre línguas apresentadas pela autora.
ResponderExcluirEstive pensando sobre a descrição que o Andre faz em seu texto e os comentarios do Helvio e levanto o questionamento sobre o Equador. Pois o pais assumiu a moeda norte americana como seu moeda corrente oficial e como sabemos a influencia do capital determina identidades e culturas. Será que o Equador irá sofrer uma forte influencia da lingua inglesa e aos poucos se adaptar e deixar o espanhol como segunda lingua? Logico que isto podera ocorrer atraves de um longo processo, mas é um caso a ser estudado e que pode comprovar que o "capital" pode ser um fator do proximo passo da extinçao linguistica"
3) Em que medida as definições de bilinguismo discutidas em Romaine (1995) diferem?
ResponderExcluirTemos diferentes definicoes de acordo com o capitulo do livro de Romaine (1995) "Bilingualism" em categorias de função, sua alternancia, analise e interferencia.
Ao falante bilingue é requisitado que tenha um dominio das funçoes e estruturas das linguas, tendo desta forma as caracteristicas de um nativo em sua fala.
Outra definicao discuti que o bilingue possa fazer uma conexao entre as linguas, podendo muito bem se comunicar em ambas sem ter o seu total dominio estrutural e fonetico, dando o a possibilidade de interação social.
Desta forma podemos compreender que "dominar uma lingua" é algo relativizado em relacao ao falante bilingue, pois devemos observar outras interferencias neste contexto comunicativo.
Ricardo Wobeto
Sobre ORTIZ e Hall
ResponderExcluir1) Considero que tanto "senso comum" como "senso in-comum" acreditam no poder que existe sobre o tempo e as diversas ações que ele provoca no mundo. Deve ser por isso que o senso comum sempre afirma que "o melhor remédio para curar nossas feridas é o tempo!" ou "dê tempo ao tempo que tudo se resolve"!
O que, certamente, subjaz a essas afirmações é a conclusão de que o tempo por mais que nos engane ao produzir uma 'sensação' de sincronia pura, ou de um presente vitalício, ele sempre altera a nossa realidade por estar sempre em mudança. Por isso, não vejo como discordar dos ditos populares que abarcam o tempo que existem por ai. Isso porque quando traçamos uma cronologia da humanidade somos sempre levados a considerar práticas culturais que sobreviveram de um século até outro, ou aquelas que foram ressignficadas, transladadas, dizimadas e trazidas à vida de novo (por exemplo, a moda que some e ressurge novamente algumas vezes). Dessa forma, o TEMPO é REI...como Gilberto Gil mesmo diz em sua canção:
"Não me iludo
Tudo permanecerá
Do jeito que tem sido
Transcorrendo
Transformando
Tempo e espaço navegando
Todos os sentidos..."
(...)
Várias são as aréas em que espaço e tempo são discutidos em suas singularidades. Nas humanas quanto as alterações da vida social, na exatas quanto a velocidade dos corpos que estão presentes no mundo em que é necessario saber o TEMPO e o ESPAÇO percorrido pelo objeto. O que modemos tirar disso tudo é que o tempo e o espaço "really matter" nas nossas noções de viver.
É neste sentido que Ortiz (2008, p. 75) afirma que "as transformações atuais (capitalismo flexível, indústrias culturais transnacionais, mundialização da cultura, avanços tecnológicos), incidem diretamente na maneira de se conceber as formas espaciais". Esta "formúla" sócio-cultural difere-se daquela das Exatas em que a velocidade do corpo é calculada pela distânica percorrida sobre o tempo utilizado. Na teoria social de Ortiz a fórmula é outroa. Nela os espaços se encurtam a medida que os objetos são desterritórializados; no momentos em que aquelas linhas imaginárias que internacionalizavam o mundo, distinguindo uma estado-nação do outro, se tornam transponíveis e as culturas (ou os aspectos) conseguem transladar-se livremente de um local a outra, como da esquina da minha casa à esquina central de Manhatan.
Sobre Ortiz e Hall
ResponderExcluir2)Isso significa uma ruptura no tempo e no espaço ao mesmo tempo. Isso porque enquanto num tempo 'presente' do passado (que seja o século XVIII por exemplo) os corpos sociais estavam totalmente alocados em seus territórios, o tempo que possuimos hoje, ao invés, produz um grande deslocamento e uma difusão entre esses corpos.
As culturas, neste momento, se apresentam umas as outras nem sempre na tentativa de ostentar suas desemelhanças, na tentativa de formar uma identidade pura, fruto de uma essência única e indissolúvel. Ao contrário, elas se apresentam para se difundirem, e não é mais como sempre foi durante toda a colonização, em que a cultura era sempre uma via de mão única, do colonizador a colonizado. Agora as culturas que estão no topo da hierarquia do poder apropriam-se de aspectos das culturas menos favorecidas (mesmo que isso tenha um fluxo menor se comparando com as culturas concentradas na base da hierquia). É por isso que comemos pamonha no bairro X da China e/ou passamos a ser membro da comunidade do orkut "AJUDEM SALVAR OS PANDAS".
Neste sentido, Hall (2006, p. 75) diz que
"quanto mais a vida social se torna mediada pelo mercado global de estilos, lugares e imagens, pelas viagens internacionais, pelas imagens da mídia e pelos sistemas de comunicação globalmente interligadas -desalojadas- de tempos, lugares, histórias e tradições específicos e parecem 'flutuar livremente'".
As identidades neste sentidos passam a ser partilhadas e ao mesmo tempo diferentes umas das outras. Isso corrói a noção de essêcia pura de um grupo 'w' de indivíduos, uma vez que eles introduzem novos estilos e valores aos seus próprios.
Na é diferente do pensamento de Foucault quando em seu artigo 'o que é um autor' considera que o mais importante da produção dos discursos não é quem se denomina como o autor, mas o que é dito por esta pessoa. É claro que devemos levar em conta a hegemonia de algumas culturas sobre outras ao introduzir o comentário de Foucault. Mas ele se torna relevante porque o que faz alguém ser um adorador de MCdonald's nem sempre é permeado pelo fato de ser algo produzido nos EUA, mas o fato de ser o que realmente é: o sanduíche com sabor tal, com igrendiente tal etc.
Sobre Ortiz e Hall (final)
ResponderExcluir3)Acredito que quando Hall e Ortiz afirmam sobre essas mudanças no seio da sociedade social da era pós-moderna, não querem dizer que a mundialização da cultura e os entrecruzamentos dos espaços, que aprecem com várias vias, produziram ou produzirão um conjunto de identidades aglomeradas como a uma casa feita de "madeira tipo compensada". As identidades nacionais sempre existirão - até então - mas o que muda é a (di)hibridização que entre elas ocorrem ao invés de culturas ilhadas ou estanques como sempre foi acreditado para a produção e reiteração de uma cultura pura. A globalização não concebe as nações ausentes de suas identidades nacionais ou com uma identidade única, mas produz uma configuração de identidades mistas, híbridas e deslocadas.
A globalização produz um cenário de uma guerra cultural (in)consciente e constante em que cada uma das nações lançam seus aspectos culturais umas as outras, em maior ou menor grau (dos EUA para o Haiti, do Haiti para a Inglaterra, por exemplo)produzindo um movimento constante e tornando as nações sempre multifacetadas e heteróclitas a qualquer tipo de essência.
É por isso e outros que muitos indígenas brasileiros possuem hábitos considerados da população não-indígena e utilizam artefatos como celular, vídeos do youtube, orkut, pizza, Play Station 3, debatem o problema da novela das oito etc.
Até que ponto isso é bom ou ruim deve ser pauta para outro tópico de discussão, mas não creio que as mudanças sociais de grande magnitude como a globalização produza apenas aspectos positivos para desconstrução de outros... O Cosmo em que vivemos é sempre multi-heterogêneo e isso faz algumas mudanças não sejam sustentáveis a vida social prejudicando a harmonia entre os grupos.
2) Romaine (1995, p.5) afirma "o bilinguismo está a um passo da extinção linguística"(p. 5). Comente a afirmação pensando nas situações de contato entre línguas apresentadas pela autora.
ResponderExcluirParece-me que Romaine se apropria de um discurso dito anteriormente por outras pessoas fazendo uso de uma citação indireta (sem dizer quem foram as pessoas que disseram isso). Isso me fez compreender que neste momento a fala dela tende a ser neutra por causa de “It has often been said...”. Mais adiante ela diz (p. 5) “I will also examine some cases where bilingualism and language switching have existed for hundreds of years with no sign of decline in the use of the languages involved. There is increasing evidence to indicate that this mixed mode of speaking serves important functions in the communities where it is used and that it is not random”.
Levando isso em consideração, Romaine discorda da idéia de o contato de duas línguas no mesmo espaço possa evoluir para um monolinguismo desregrado. Ao invés, ela diz haver contatos lingüísticos em que não existem perdas e a relação das línguas é harmônica, uma ajuda a outra (codeswitching) ou uma na interfere na outra (línguas usadas por funções específicas). Entretanto, como a André e o Marco Túlio afirmaram, é necessário colocar o foco desta afirmação acima, sobre a extinção lingüística, dentro de um contexto. Provavelmente, Romaine deve concordar que o contexto as relação entre línguas no mesmo espaço pode ser ora Harmônica ora Desarmônica como acontece no exemplo que ela cita sobre a língua Manx considerada um inglês disfarçado e por isso deveria ser extinto, ou o occitano que como a professora Heloísa A. B de Mello (1997, p. 37) cita em seu livro ‘O falar bilingue’:
“Na França, o francês parisience, autorizado pela Academia Francesa, continua sendo a variedade padrão ensinada nas escolas. O occitano, língua falada na Occitania, ao sul da França, está, aos poucos, cedendo seu lugar para o Francês. (...) ‘o francês é associado à modernidade e à oportunidade, enquanto o occitano lembra a vergonha de quando os professores penduravam um sapato de madeira no pescoço daqueles que falavam o occitano na escola, como forma de punição’”.
Ou como Makoni et al. (2003, p. 7) na introdução do livro ‘Black Linguistics’ diz sobre a questão do contato de línguas na África do Sul:
“A striking example of a context in which a language policy position held by language activists conflicts with the community’s position on language can be cited from South Africa, where language activists are experiencing resistance from local communities about the use of African languages as media of instruction for schoolchildren. The linguists are well aware of the long-established, voluminous research from around the globe about the advantages of mother tongue education. However, these South African communities have expressed an explicit preference for English as the language of Education.”
Continuaçao... questão 2) Romaine (p. 5)
ResponderExcluirMuitas das vezes o bilingüismo é um estágio para a extinção, onde os indivíduos de uma Lx ao ter contato com uma Ly passar a falar por necessidade do contexto envolvido (político, econômico etc) a falar Lx e Ly e as gerações conseguintes que nascem passam a falar somente Ly tornando a língua Lx extinta. Isso é uma relação desarmônica, pois uma língua impera sobre a outra, e a enfraquece até a sua morte. De certa forma, as relações que as línguas impõem umas as outras é diferente e para cada contexto nos devemos lidar com um resultado. Quero dizer que a forma como uma língua hegônica se impõem/impôs ao português não é a mesma forma como o português, assegurando sua posição de hegmonia, se impõe/impôs as línguas minoritárias indígenas no Brasil. Para cada contexto acho que temos um fluxo que delineia o movimento.
Neste sentido, por mais que existam alguns poucos milhões de bilíngües em língua inglesa no Brasil não será suficiente para imperar sobre o português e tornar um dia a polução brasileira “English spearkers only”. Infelizmente, no cenário das línguas indígenas o é o oposto que temos. E o medo que nos toma conta (ou pelo menos deveria ocorrer) é de que muitas ainda serão dizimadas se os progressos de revitalização não forem suficientes para lutar contra o tempo e o espaço em que essas línguas estão alocadas.
O bilinguismo parece ser uma avenida de duas vias com fluxo de carros, em geral, diferentes. O fluxo de pessoas que saem de Trindade para Goiânia para trabalhar, estudar, ir ao médico todos os dias é completamente diferente da quantidade de moradores de Goiânia que vão a Trindade pelos mesmos motivos. Assim, as vias são desregradas e vivem permanentemente em descompasso. Saindo do plano da metáfora, é assim no quanto ao fluxo inglês-português, português-xerente, português-javanês, espanhol-igbo, francês-quéchua etc.
Com isso, ao mesmo tempo em que o bilinguismo dá vida a muitos novos falantes e reitera muitas culturas (língua é um tesouro cultural), pois aumenta a quantidade de falantes deste ou daquele idioma, ele também cerceia, limita, emudece alguns falantes e assassina muitas línguas, uma vez que atua como trampolim para a morte de muitas delas. O bilinguismo, então, é saudável quando no espaço e no tempo em que ocorre não possuem línguas concorrentes, ou oprimidas e opressoras.
O bilinguismo em muitos casos é um lugar de batalha romana onde só permance viva aquela língua que matou a(s) outra(s).
3) Em que medida as definições de bilinguismo discutidas em Romaine (1995) diferem?
ResponderExcluirRomaine historiciza os principais conceitos sobre bilinguismo no século XX e mostrando como eles se diferem. Ela apresenta a clássica e polêmica definição de bilinguismo por Bloomfield que considerou o indivíduo bilíngüe como aquele ou aquela que controla as duas línguas da mesma forma que o nativo. Já para Haugen o bilíngüe é aquele que produz algo significativo em outra língua além da sua própria. Essa definição é problemática, pois se m falante apenas diz Hola! já significa que é bilíngüe em espanhol (mesmo que não saiba nada além dessa expressao). Diebold batizou de bilinguisimo incipiente os estágios iniciais dos falantes de uma outra língua. Mackey diz que é necessário olhar quatro fatores durante a definição de um indivíduo bilíngüe: grau, função, alternância e interferência. A Definição de bilinguismo ainda é bem discutida na literatura, pois, em geral ela é muito relativa e prioriza alguns indivíduos em detrimento de outros.
A extinção do bilinguísmo, também pode ser vista como uma constatação da efetiva influencia da Globalização na língua... não existe mais monoglinguísmo, bilinguísmo será passado... haverá multilinguísmo. Vejo essa afirmação assim!
ResponderExcluirEduardo Borges.