quarta-feira, 14 de abril de 2010

COMENTÁRIOS SOBRE OS TEXTOS DE 15 DE ABRIL

1) Comente a afirmação de Salzmann sobre a hipótese de Whorf (Sapir Whorf Hypothesis), "Whorf concerns himself with the important question of language-culture dependency in several of his papers, but he overstates his case" (p. 64).

Como o título de Salzmann já informa previamente, a relação língua e cultura é o foco do capítulo. E logo na página 44 Salzmann já coloca a hipótese de que Whorf teria exagerado: “From a contemporary standpoint, however, it appears that Whorf overstated his case.” Isto dito, Salzmann passa a discutir tal afirmação, através de exemplos diversos, até chegar a sua conclusão, na página 64, onde afirma que, salvo termos técnicos que requerem sua própria terminologia, todas as línguas podem expressar qualquer coisa, pelo menos é o que acredita a maioria dos lingüistas. Questionando também a precisão e representatividade dos dados de Whorf, Salzmann afirma que Whorf exagerou sim. Até aí, à luz da evolução dos estudos lingüísticos pós-Whorf, nada demais.

O que me chama a atenção, entretanto, nesta discussão, e que gostaria de registrar aqui, para nossa discussão, não é o fato de que Whorf exagerou, mas sim a parte que ele acertou. Salzmann afirma que “there is no question that the lexicon of any language mirrors whatever the nonverbal culture emphasizes; that is, those aspects of culture that are important for the members of a society are correspondingly highlighted in the vocabulary” (p. 47). Mesmo sem o overstatement whorfiano, se assim posso dizer, tal relação entre língua e cultura é, pelo menos em minha opinião, bastante interessante. Observar aspectos tão básicos da vida humana, como as relações familiares, por exemplo, sendo diferentemente organizadas por línguas diferentes, e o impacto disto na cultura – ou vice-versa, depende de quem veio antes, o ovo ou a galinha – é fascinante. Como coloca Salzmann na página 49: “It is clear that the kinship terminology by which one classifies relatives also governs the type of behavior patterns and attitudes applied to them”.

Considere-se por exemplo a figura da sogra, que na cultura brasileira é sempre execrada, mesmo quando alguém tem uma ótima relação com a mãe de seu cônjuge. O termo sogra já tem conotações desagradáveis para um povo como o brasileiro, que se diverte tanto ridicularizando e odiando este parentesco. Quando olhamos para o termo usado no inglês, entretanto, vemos uma proximidade conceitual bem maior, já que o termo usado para a mãe do cônjuge é mother-in-law. Não disponho de conhecimento suficiente das culturas anglófonas para saber se esta diferença conceitual implica também numa abordagem cultural diferente do relacionamento com a mãe do cônjuge, mas estas questões instigam minha curiosidade.

Termino minhas divagações citando ainda, com referência ao exemplo da sogra, a observação de Don Richardson, missionário cristão entre os Sawi da Nova Guiné, em seu livro O totem da paz (Belo Horizonte, MG: Betânia, 2007). Richardson diz que “para um sawi do sexo masculino, nada era mais sagrado do que o relacionamento com os que lhe haviam dado a filha ou filhas em casamento. Tão grande era o respeito dos sawis pelos seus sogros, que nem mesmo pronunciavam seus nomes em voz alta. E o seu sentimento de dever para com eles era tão forte, que superava o que os ligava aos próprios pais e à esposa e aos filhos”. E por causa disto, a palavra usada pelos sawis para designar os sogros era uma palavra importante e reverentemente pronunciada.

Assim, embora Whorf tenha exagerado, sua observação da relação língua e cultura continua a ser bastante interessante.


2) Relacione o artigo de Timm com a afirmação de Romaine (1995, p.5), "o bilinguismo está a um passo da extinção linguística".

O caso do Breton relatado por Lenora Timm parece corroborar a afirmação de Romaine, pois o que se percebe é que os falantes nativos da língua em questão estão diminuindo, em parte por questões pragmáticas que os levam a optar pelo francês, e em parte pelo fracasso do neo-breton, como relatado pela autora, em revitalizar a língua, o que reforça a opção dos falantes bilíngües de Breton/French pelo segundo idioma.


Onésimo Ferraz

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