1) Salzmann expõe a teoria de Whorf deixando clara a relação dialética que este acredita haver entre as relações do indivíduo com sua cultura e sua língua. Ideia que evolui dos estudos de Humboldt e Boas e que ganha destaque após a Segunda Guerra com a publicação da teoria do Relativismo Lingüístico. O autor atribui à língua a função de fornecer ao indivíduo recursos para que este possa interagir e agir sobre a cultura que vive, dando a ela um exagero destaque no que concerne à cultura interferir na conceptualização dos significados. Os argumentos seguintes seguem amenizando a teoria de Whorf, tornando-a mais clara e com contornos capazes de propiciar a condução dessa linha de estudo. O foco é relacionar visão de mundo com cultura e linguagem definindo até que ponto a cultura e a linguagem interferem-se mutuamente e como interferem da forma como o indivíduo lida com o mundo ao seu redor. O exagero do autor é mostrado quando são expostos argumentos que contradizem alguns dos exemplos aos quais Whorf recorreu para fundamentar seus dizeres. Acreditar que o fato de uma cultura utilizar-se de um maior ou menor número de palavras para definir uma mesma é algo que reflita ou limite sua habilidade cognitiva, e que o comportamento cultural interfere nas regras gramaticais de alguns idiomas é sem dúvida inflar os reflexos desse comportamento social. É claro que muitas das escolhas lexicais e a própria necessidade de uso desse léxico envolve a visão e as regras sociais que o indivíduo detém no momento do enunciado, mas não é possível dizer que elas determinam e definem, ou ainda limitam, a forma como o indivíduo se posiciona no mundo.
Com certeza é atribuir muito ao comportamento social, dizer que este dita ou fornece as regras disponíveis para que interpretemos o mundo com o qual temos contato diretamente e constantemente. É claro que nosso comportamento social nasce de nossas habilidades cognitivas, que são elas que interpretam nossas regras sócio comportamentais e que dizem como deveremos reagir às situações cotidianos da vida social. Não há como desvincular cultura e compreensão de mundo, o mundo em que hoje vive o ser humano é um espaço culturalmente criado e dividido, logo, as regras de convívio social tornam a principal peça nesse jogo. A linguagem é claro também não se distancia dessa realidade ela é utilizada pela e para cultura, como forma de modificação e perpetuação da mesma . É isso justifica dizer que embora ainda não haja uma linha clara que desenhe esse nível de interferência mútua, é impossível desvencilhar o comportamento sócio cultural do comportamento lingüístico e esses dois da forma como o indivíduo lida com as próprias ideias.
2) O texto de Timm mostra parte das dificuldades de se recuperar uma determinada lingüística de um avançado estágio de desaparecimento lingüístico provocado por avanços ideológicos e sócio culturais na comunidade de falantes do Bretão. Os argumentos do autor mostram que mesmo contando com o trabalho de especialistas que fizeram um levantamento do léxico da língua high que invadira a língua bretã e propuseram novos vocábulos, a língua perdeu parte de sua capacidade representativa frente a realidade da comunidade bretã. Regras de comportamentos sociais, formas de descrições e construções sintáticas da língua bretã deram espaços às equivalentes em língua francesa. Os novos falantes introduzidos à língua bretã após conhecerem o francês inicialmente não conseguem se adequar às convenções sócio linguísticas dos falantes antigos deixando exposto um conflito de gerações ao utilizar a língua.
O período diglóssico dessa sociedade, no caso francês e bretão, com certeza é responsável por essa perda que a língua bretã sofreu nesse período. O uso da língua exclusivamente em determinadas situações sociais é o que causa a substituição de parâmetros culturais na língua. Quando se refere ao bilingüismo a um passo da extinção podemos dizer que em situação de contato onde uma língua é privilegiada em relação a outra, é normal que elas passem por um processo de interlíngua e por fim acabem resultando num idioma único capaz de suprir todas as necessidades de uma comunidade, afinal, todas as línguas são suficientemente capazes de servir a uma comunidade sem que outra língua seja necessária. A existência de comunidades cada maiores, com ligações mais rápidas entre si e o que gera o receio de uma homogeneização lingüística.
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