quinta-feira, 8 de abril de 2010

Salzmann e Timm - Textos de 15 de abril

1) Comente a afirmação de Salzmann sobre a hipótese de Whorf (Sapir Whorf Hypothesis), "Whorf concerns himself with the important question of language-culture dependency in several of his papers, but he overstates his case" (p. 64).

2) Relacione o artigo de Timm com a afirmação de Romaine (1995, p.5), "o bilinguismo está a um passo da extinção linguística".

7 comentários:

  1. 1) Comente a afirmação de Salzmann sobre a hipótese de Whorf (Sapir Whorf Hypothesis), "Whorf concerns himself with the important question of language-culture dependency in several of his papers, but he overstates his case" (p. 64).

    Podemos ressaltar este debate atraves da apresentação da hipótese original que foi formulada por Edward Sapir e seu estudante(discipulo) Benjamin Lee Whorf ainda na década de 1930, que consiste em: Os doias autores chegaram a definição de que existe uma relação sistemática(ordenador, metodico) entre as naturezas (categorias) gramaticais da língua e a forma como os seus falantes compreendem o mundo e atuam dentro dele.
    Um ponto consideravel desta hipotese que pode se considerar é a forma de determinismo lingüístico, mesmo que o interesse dos psicólogos pela influência da linguagem no pensamento seja uma formulação anterior a este pensamento.
    Pode-se, desta forma, extrair um conceito consistente e um conceito de menor consistencia:

    Conceito conscistente: a língua de um monoglota determina em sua totalidade a forma como este conceitualiza, memoriza e classifica a realidade que esta ao seu redor. Assim sendo, a língua determina fortemente o pensamento de seu falante. Isto ocorre principalmente no nível semântico(segundo aurelio:Estudo das mudanças ou trasladações sofridas, no tempo e no espaço, pela significação das palavras), embora também exerça influencia na maneira de assumir estes processos de mudança e os estados das coisas, objetos e situações expressas por ações verbais.

    Menor consistencia: A língua de um falante tem uma certa forma de influencia na maneira desta pessoa formar conceitos, construir sua memorizacao da "realidade", fundamentalmente a nivel semântico. Isto significa que,mesmo sendo os demais fatores iguais, ainda assim podem existir diferenças estatísticas significativas no forma em que os falantes de diferentes línguas focalizam ou resolverem certos tipos de problemas.
    Depois de discorrer sobre estes conceitos (menor e maior consistencia) podemos refletir porque Salzmann comenta que "Sapir Whorf Hypothesis" é "exagerada em seu caso", mesmo sendo defendida piamente em seus discursos e textos.Não podemos julgar uma sociedade por se utilizar de maior ou menor quantidade de lexicos para definir, interagir e delimitar compreensao do mundo. Uma das observacoes que podemos fazer e que a cultura certamente sofre grande influencia pela construção linguistica e como esta lingua e expressada atraves de seus falantes.

    Ricardo Wobeto

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  2. 2) Relacione o artigo de Timm com a afirmação de Romaine (1995, p.5), "o bilinguismo está a um passo da extinção linguística".

    Durante a leitura de Lenora A. Timm do texto "Transforming Breton: A case study in multiply conflicting language ideologies", podemos entender melhor a afirmação de Romaine (1995, p.5) "o bilinguismo está a um passo da extincao linguistica".
    A lingua Bretã vem sofrendo um processo transformador, causado pela rapidez da influencia de novas ideologias e culturas que começam a fazer parte dos falantes desta lingua atraves da influencia da aprendizagem, principalmente do frances e influencias da lingua inglesa.
    Timm (1982) relata que especialistas desenvolveram um estudo do lexico e suas alteraçoes sofridas pelas cargas de palavras provindas do frances, propondo assim a alteraçao de vocabularios(ou inovação). Isto ocasionou a perca de representatividade da lingua Bretã frente a sua comunidade.
    Estruturas da língua Bretã foram então alteradas em suas representacoes sociais, descrição de fatos, estruturas multi valentes, posicionamento das palavras na frase ou no discurso pela entrada da lingua francesa.
    Podemos ccompreender que, se uma lingua sofre alteração em sua estrutura lexical, como ocorreu com o Bretão tradicional em comparacao ao Neo Bretão, esta lingua esta proxima de deixar de ser utilizada e a nova linguagem ser adquirida sem questiomentos em funcao da sua estrutura. Podendo desta forma gerar conflitos de geracoes em detrimento do padrao linguistico.
    O contato de uma lingua em relacao a outra pode trazer uma sobreposição de uma lingua dominante ou considerada de melhor representação social, pode causar influencias na (re) construção até de uma nova identidade(inter lingua) atraves deste dominio linguistico jovial.Logo apos o momento de transicao a homogeinização linguistica pode fomentar a surgimento de uma nova estrutura e a não utilizacao da estrutura tradicional.

    Ricardo Wobeto

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  3. 1 - Whorf (1940, p. 231 apud SALZMANN, 1998, p. 42) levantou a hipótese de que “[...] o sistema lingüístico por detrás de cada língua (em outras palavras, a gramática) não é um mero sistema de reprodução para dar voz às idéias, mas é, ele próprio, que dá forma às idéias”. Acredito que o exagero de Whorf a que Sallzmann se refere esteja no próprio estabelecer a língua como definidora de conceitos no mundo, o fato de a língua ser necessária para existência de conceito. Daí o léxico de uma língua servir como parâmetro para a habilidade cognitiva e a língua estipular os domínios de uma cultura está muito exagerado se pensarmos que cada falante utiliza em graus maiores e menores esses domínios (cultural e lingüístico). Acredito em sua inter-relação não como medidora do processo.

    2 - Percebo uma relação entre a questão que as ideologias provocam no uso (ou opção de) falantes (quando bilíngües!) em relação à opção pelo francês e/ou bretão. E, ao mesmo tempo, a questão da fase de diglossia, que acaba por favorecer o desaparecimento da língua bretã, em relação ao francês – tida, no caso, como língua majoritária. O que acontece nessas situações de contato, eventualmente garantida por relações de interlíngua entre seus falantes, é o surgimento de um “novo” idioma a partir da ocorrência mista e das variedades surgidas com a relação binária das duas línguas, até mesmo por essas línguas terem referências lingüísticas similares e, em alguns casos culturais, de modo que essa tendência confirmaria a afirmação de Romaine.
    Hélvio

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  4. A afirmação de Salzmann sobre a hipótese de Whorf (Sapir Whorf Hypothesis), "Whorf concerns himself with the important question of language-culture dependency in several of his papers, but he overstates his case" (p. 64) se baseia, principalmente, na fragilidade metodológica e interpretativa de Whorf e nas supergeneralizações geradas por suas interpretações. Salzmann apresenta em seu texto diversas revisões e reanálises da teoria de Whorf que, de uma forma ou de outras, relativizam, principalmente, a relação determinística entre cultura-língua-pensamento, assim como a ideia de relatividade linguística determinado por diferentes padrões culturais. Dentre os principais contra argumentos posteriores às proposições de Salzmann, pode-se destacar que “a diferenças entre línguas sugerem, mas não provam que os falantes destas línguas diferem em suas potencialidades psicológicas”; no caso dos tambores de combustível, deve-se destacar que a língua inglesa é capaz de distinguir linguisticamente tambores cheios de vapor explosivo, cheios apenas de ar, ou cheios de qualquer outra coisa (LENNEBERG, 1953). Este é um caso bastante representativo de uma supergeneralização de Whorf. Além disso, as pesquisas de Berlin e Kay (1969) sobre os termos que nomeiam cores demonstraram que, neste domínio, exageradamente usado para comprovar o relativismo linguístico na literatura especializada, há traços semânticos que são universais, ou próximos de universais. Salzmann (p. 47) destaca, ainda, a possibilidade de equivalência de vocabulários entre línguas diferentes, através de diferentes recursos linguísticos, questionando a tese de Whorf segundo a qual algumas línguas expressam o que outras não poderiam expressar. As interpretações dos exemplos da língua hopi também são questionadas, pois, como observado, as relações entre os aspectos pontual e segmentativo (durativo?) não são tão diretas como apresentadas por Whorf e a constatação de que os falantes do hopi não distinguem dimensões temporais, e por isso não as refletem na língua, desconsidera que eles indicam tempos através de advérbios temporais. Além disso, os principais dados da língua hopi apresentados por Whorf foram obtidos através de um único falante, residente em Nova York, ou seja, fora de seu contexto social e cultural. Muito embora as críticas sejam absolutamente pertinentes, não desconsideram as importantes proposições de Whorf, estímulos, ainda hoje, para inúmeras pesquisas sobre a relação entre língua-cultura-pensamento e, sem dúvida, para a própria linguística.
    André Marques do Nascimento

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  5. 1- O texto de Salzmann (1998) traz muitos exemplos de diferenças lexicais e outras entre duas ou mais línguas e trata que essas diferenças influenciam na cultura desses povos das línguas em questão. No entanto, ao final, a hipótese de Whorf é colocada e ao meu ver de maneira muito interessante, pois durante a leitura eu me questionava até quanto o número de vocábulos ou o dizer de forma parafraseada muda amplamente a relação intercultural . Que as línguas se diferem em inúmeros aspectos (gramatical, lexical) é fato, mas como a sociedade ou o indivíduo lida e muda em relação a essas variáveis nas duas ou mais línguas faladas é que se traduz em instigante questão. Como racionalizar o tempo em palavras muda minha relação como o mesmo, como não conseguir descrever sentimentos em única palavra muda minha forma de ver o mundo, como ser possuidor de termos técnicos de alguma doença me impediria de ajudar uma vida descrevendo alguns sintomas? É sabido que falantes bilíngües ou multilingues utilizam de maneira até conveniente as “facilidades” das línguas em que conseguem se comunicar em contrapartida ao monolíngüe que tem seu repertório reduzido, mas ambos estão expostos a tão famosa globalização e diminuição do espaço e, consequentemente, a fatores culturais vinculados a essa exposição.

    2- No texto de Timm (2001) é apontada a discussão entre a escolha de uma língua ou outra ou até uma interlíngua e como esse processo gera choque de gerações e afeta a história de uma língua. O falante bilíngüe tende a optar como mostra no texto pela língua que possui maior dominação política, econômica ou simplesmente por ser a mais utilizada. No caso do texto, o Bretão possuía mesma derivação lingüística do Francês, facilitando a recriação e adequação da língua bretã. Timm (1982) nos dá exemplos de como a língua bretã sofria ajustes influenciados pela língua francesa. A extinção lingüística mencionada por Romaine (1995) trata desses aspectos nos quais falantes bilíngues vivenciam e que em muitos casos não são plenamente racionalizados, mas levados pela lei do esforço mínimo. Como a autora aborda, o monolinguismo vai se instaurando visto não haver necessidade da utilização real das duas ou mais línguas.

    Lúcia.

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  6. 1) Ao referir-se à hipótese de Sapir-Whorf, Salzmann (1998, p. 64) alega que Whorf “procurou discutir a dependência entre língua e cultura em vários de seus textos, mas suas conclusões sobre esse assunto são demasiadas”. Como se sabe, foi Benjamin Lee Whorf, juntamente com Edward Sapir, que lançou a hipótese de que língua e cultura são elementos indissociáveis. Nessa perspectiva, as relações culturais são influenciadas pela língua, isto é, a língua determina o modo como as pessoas compreendem o mundo a sua volta. No entanto, como propõe Salzmann (1998), é preciso que essa questão seja revista de modo menos enfático e mais flexível, haja vista as várias circunstâncias em que uma determinada língua pode não afetar diretamente a compreensão de mundo de seus falantes. A título de exemplo, com base nos argumentos do próprio Salzmann (1998), pode-se mencionar a marcação de gênero no inglês e no alemão: enquanto a distinção masculino/feminino não está marcada na palavra teacher, do inglês, em alemão ela possui formas diferentes para ambos os gêneros, a saber, lehrer (para o masculino) e lehrerin (para o feminino). Em uma análise cultural, poderíamos nos perguntar se nos países de língua alemã as práticas sexistas são mais evidentes em decorrência das distinções linguísticas entre homens e mulheres. Logo, chegaríamos a conclusão de que essa ideia não procede e, portanto, que o sexismo opera de maneira bastante semelhante tanto em países de língua inglesa como de língua alemã. Dessa forma, somos levados/as a problematizar os conceitos imbricados na hipótese de Sapir-Whorf, de modo a reconhecê-la como não representativa de uma língua em sua totalidade.


    2) O texto de Timm (2001) discute alguns aspectos do contato entre as línguas francesa e bretã, com foco nas tentativas de revitalização da língua minoritária, a saber, o bretão. Em primeira instância, esse debate nos faz refletir sobre as consequências do biliguismo, isto é, sobre como a substituição de uma língua por outra ou mesmo o uso simultâneo de duas línguas no mesmo espaço (leia-se, na mesma “nação”) pode colaborar com a extinção daquela considerada de menor prestígio. De acordo com o autor, no caso do bretão, por exemplo, fica difícil propor alguma forma de revitalização linguística, visto que suas relações já foram determinadas a partir do momento em que o francês começou a ser falado pela população tradicional da Bretanha. Para ele, nessas circunstâncias qualquer tentativa de se resgatar a língua minoritária deve levar em conta fatores de ordem sociocultural, tais como as diferenças entre as produções linguísticas de falates tradicionais da língua bretã e falantes do chamado novo bretão. Assim, pode-se dizer que as relações entre ambas as línguas foram determinadas e/ou estabelecidas a partir do seu contato, pois foi daí que o francês passou a ser adotado pelas novas gerações e, como consequência, limitou as possibilidades de comunicação na língua bretã tradicional. Ou seja, tomando como referência a afirmação de Romaine (1995, p.5) de que "o bilinguismo está a um passo da extinção linguística", pode-se dizer que a língua bretã de fato está em processo de extinção, pois as tentativas de revitalizá-la não estão trazendo de volta a mesma língua que os falantes tradicionais falavam, por mais que se pense o contrário. Em outras palavras, o bretão não tem sido simplesmente revitalizado, mas transformado, deturpado, ressignificado em outras bases.

    Marco Túlio de Urzêda Freitas

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  7. 1) Independentemente de Whorf ou Salzmann terem razão em seus estudos ou não, penso que, de fato, seria interessante pesquisar um número representativo de línguas, de forma que pudéssemos levantar dados para verificarmos até que ponto um indivíduo ou uma cultura podem ser influênciados pela(s) língua(s) que fala. Penso, nesse sentido, como ficaria a situação de uma pessoa poliglota. Ela teria ou traria um pouco da cultura de cada língua que fala? Seria um indivíduo multicultural?
    Ao terminar a leitura do texto de Salzmann, fiquei pensando em como poderia fazer/ organizar uma pesquisa analisando os lexemas, a gramática, as expressões idiomáticas etc. de pelo menos uma língua para tentar relacionar o funcionamento dessa língua com aspectos comportamentais e culturais de um indivíduo ou de uma cultura, tal qual Whorf nos mostra em seus esudos.


    2) Percebemos que a língua Bretã e consequentemente o bilinguismo, está a um passo da extinção quando lemos o texto de Timm e percebemos alguns pontos conflitantes e/ou polêmicos como o fato de os reformadores dessa língua escolherem um dos dialetos para fazer a padronização da língua e, para tal, utilizarem um dialeto que quase não é usado pelo povo, mas por uma elite.
    Outro fator problemático que o texto aponta é a influência do francês no Bretão, pois os mais jovens e falantes bilíngues acabam recorrendo ao francês quando têm dúvidas com relação às palavras em bretão, fazendo assim com que haja o neo-Bretão, o qual passa a ser um problema para os falantes mais antigos do Bretão.
    Tais fatos fazem com que aconteça uma distanciação grande (gap) entre os falantes do bretão e do neo-Bretão, pois vemos que a língua faz empréstimos do Francês e vai sendo transformada, ao invés de revitalizada, conforme mostrtado ao longo do texto de Timm.

    Angelita Duarte da Silva

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